Estádio do Arruda completando 50 anos de vida neste sábado (04)

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Muito além da estrutura, ter um lugar para chamar de casa é um sentimento. Entender que faz parte. Olhar ao seu redor, memorizar cada detalhe e se sentir identificado. Não à toa, o colossal – em tamanho e história – Estádio José do Rêgo Maciel entrega tudo isso. Há meio século, o torcedor coral sabe exatamente onde ir. Avenida Beberibe, 1285. Um trajeto capaz de ser feito de olhos fechados, partindo seja de qual for o ponto. Em um 4 de junho como hoje, lá em 1972, o Santa Cruz Futebol Clube “inaugurou um sonho”, como escreveu, à época, o Diario de Pernambuco, transformando o alçapão num mundão de concreto.

Da calçada da Igreja de Santa Cruz ao Colosso. A enormidade do Arruda em termos de estrutura, de fato, foi construída aos poucos. O Tricolor passeou por alguns bairros do Recife até erguer o seu monumento. Se instalou na Jaqueira, transformou Estrada Nova e, enfim, encontrou o seu pedaço de terra. Um terreno ao lado da, na época, Estação do Arruda. Nele, inaugurou o campo do Tabajaras, diante de seis mil pessoas, vencendo o time suburbano – hoje extinto – por 2 a 0. Lugar que já nasceu grande. Na época, os jornais tratavam como “a maior praça de sports dos arrebaldes”.

O Rei Pelé e o Arruda: caminhos cruzados

Depois de passar a treinar e jogar pagando por aluguel, o clube coral só viria a adquirir o Arruda, de fato, com arrendamento, a partir de 1943. Desde então, o local passou a ser chamado de ‘campo do Santa Cruz’. À época, Pelé ainda completaria o seu terceiro ano de vida. A distância de tempo, no entanto, não foi capaz de afastar a história do craque da do Tricolor.

Arrastando cada vez mais pessoas para os seus jogos, o Santa Cruz se rendeu à multidão: entendeu que precisava crescer a sua estrutura. Ou seja, construir, de fato, um estádio. Os anos se passaram. Mais precisamente 27 deles. O Brasil se sagrava Tricampeão Mundial, conduzido pela força do seu Camisa 10. Foi aí, então, que os caminhos se cruzaram. Com o sucesso da Copa do Mundo, os militares decidiram investir no futebol como ‘circo’ para o povo. Nascia, ali, a ideia da Taça Independência. A “Minicopa”.

Em meio à efervescência do futebol, todas as cidades, sobretudo as capitais, queriam sediar ao menos um jogo. As mega-construções de infraestrutura, financiadas com empréstimos astronômicos junto ao FMI, se voltaram ao esporte mais popular do Brasil. Era a chance ‘de ouro’ para o Santa Cruz. Mas construir um estádio não é fácil. Ainda mais quando se trata de um clube castigado por más gestões. Coube, então, à torcida, principal fonte de receita do clube coral desde o seu nascimento.

Nos braços da massa, inúmeras foram as mobilizações. A principal delas, a folclórica ‘Campanha do Tijolo’. Mais de 50 mil tijolos foram arrecadados só na primeira ação. Todo torcedor queria contribuir. Era a materialização do sonho da casa própria. Mas, apesar do empenho, era preciso mais para o estádio sair do papel. O Santa Cruz, o seu povo e a imprensa, então, mobilizaram a opinião pública.

E a pressão deu resultado. No dia 23 de julho de 1971, o governador Eraldo Gueiros deu o aval. Um empréstimo de 850 mil dólares foi tomado junto ao Banco Industrial de Campina Grande. As obras de finalização começaram no dia 1º de agosto de 1971 e foram entregues no dia 30 de março de 1972. Neste meio tempo, 10 dias após o início dos trabalhos, Pelé assinou como testemunha do empréstimo de 4,6 milhões de cruzeiros. Montante que seria suficiente para a conclusão do estádio do Santa Cruz.

Histórias escritas no gramado do José

Do confronto inaugural, contra o Flamengo, em junho de 1972, até o presente momento, muitas histórias foram escritas no gramado do Arruda. No primeiro deles, um empate sem gols contra os cariocas que ficou apenas no detalhe. Nas arquibancadas, mais de 62 mil pessoas fizeram parte do ‘primeiro formigueiro’ do Mundão. Isso sem contar com pelo menos outras 20 mil, de acordo com registros do Diario, da época, que dariam uma ideia de um público de mais de 80 mil torcedores.

Dando sequência à história e falando em conquistas, de acordo com o jornalista Cassio Zirpoli, o Campeonato Pernambucano já foi decidido no Arruda em 16 oportunidades desde a sua inauguração. Ao todo, foram oito títulos do Tricolor (1970, 76, 83, 90, 93, 95, 2011 e 15), seis do Náutico (1984, 85, 89, 2001, 02 e 04), dois do Sport (1977 e 80) e um do Salgueiro (2020). E não para por aí. Para além do certame estadual, competições a nível nacional também marcaram o gramado do José do Rego Maciel.

Duas decisões da Série C (1981 e 2013) e da Série D (2011). Nas ocasiões, apenas uma das taças foi levantada pelo Tricolor, na disputa mais recente, contra o Sampaio Correa, já com o acesso à Segunda Divisão garantido. Além dos duelos, a semifinal do Brasileirão de 1975, em jogo único entre Santa e Cruzeiro, com o time mineiro vencendo por 3 a 2 também estão na história do cinquentenário estádio.

Vale citar, ainda, jogos como o do acesso na Série B de 2005 e a ida da final da Copa do Nordeste de 2016. Em ambos os casos, deu o Tricolor. No segundo jogo citado, inclusive, um passo importante para uma conquista inédita. Após vencer o Campinense por 2 a 1, com gols de Grafite e Bruno Moraes, a equipe coral empatou em 1 a 1 na Paraíba, levantou a ‘Orelhuda’ e se colocou como o melhor time do futebol nordestino.

Palco da Seleção

Uma parceria invicta. Ao todo, a Seleção Brasileira esteve no Arruda em 10 oportunidades, entre 1978 e 2012. É o terceiro estado nordestino que mais recebeu jogos do Brasil, sendo superado apenas pela Fonte Nova (14) e Castelão (11), estádios reformulados a partir de 2013 para receber Copa do Mundo e das Confederações.

No encontro mais recente entre a Canarinha e o Arruda, uma goleada por 8 a 0 sobre a China. Na oportunidade, Neymar, ainda jogador do Santos, foi o grande nome da partida, anotando o primeiro dos seus três hat tricks com a camisa amarelinha. No saldo, foram oito vitórias e dois empates do Brasil.

Do Esportes DP

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