Com retrospecto equilibrado, jogos entre Sport e Náutico na Arena já decidiram vaga na Sul-Americana e título de Pernambucano

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Às vésperas de seu oitavo aniversário, a Arena de Pernambuco já foi palco de diversos clássicos entre os times do Trio de Ferro. Neste domingo (16), Sport e Náutico, além de medirem forças pela primeira partida da decisão do Campeonato Pernambucano, escrevem mais um capítulo na história do estádio que foi construído para a Copa do Mundo de 2014 – 1.208 dias após o último confronto dos rivais no campo. Entre decisões a nível estadual, regional e internacional, 10 Clássicos dos Clássicos foram disputados em São Lourenço da Mata – e, ao contrário do retrospecto geral, os números demonstram amplo equilíbrio no gramado padrão FIFA.


Desde o primeiro embate entre as equipes no estádio, em agosto de 2013, quando o Timbu, embora tenha sido eliminado nos pênaltis, venceu o Leão por 2 a 0 em partida pela Copa Sul-Americana, foram quatro vitórias rubro-negras, dois empates e outros quatro triunfos alvirrubros. No total, foram 11 gols marcados pelos leoninos contra 11 anotados pelos timbus – equilíbrio absoluto. Vale ressaltar que, dos 10 confrontos, nove tiveram o Náutico como mandante, um foi válido pela Copa Sul-Americana, outro pelo Nordestão e o restante do Pernambucano.

Entre os artilheiros do clássico no novo estádio, Éwerton Páscoa, pelo Sport, e Pedro Carmona e Wallace Pernambucano, ambos do Náutico, estão empatados. Com dois gols cada, os atletas contabilizam, somados, 27% dos tentos anotados no recorte. Inclusive, Wallace Pernambucano foi o último jogador a balançar duas vezes a rede no embate. O ‘doblete’ do ex-Náutico foi marcado no dia 24 de janeiro de 2018, quando o Timbu venceu o rival por 3 a 0 – coincidentemente, foi o último Sport x Náutico da Arena de Pernambuco.

De lá para cá, passaram-se 1.208 dias – e seis clássicos. Em pouco mais de três anos, o retrospecto equilibrado se manteve, porém com uma pequena vantagem para o Sport: afinal, foram três vitórias do Leão, um empate e dois triunfos do Timbu. Dos jogos mais emblemáticos no período, definitivamente os que decidiram o Campeonato Pernambucano de 2019 foram marcantes. Com o placar agregado em 2 a 2, a última decisão com presença de torcedores no estado foi para os pênaltis e os rubro-negros levantaram a taça.

O PRIMEIRO CLÁSSICO ‘PADRÃO FIFA’


Com o ‘choque’ do padrão FIFA, o primeiro clássico da história entre Sport e Náutico válido por uma competição internacional quase que teve torcida única. Com a adoção de cadeiras numeradas e novos protocolos, torcedores de ambos clubes se misturavam entre os 45 mil assentos da Arena de Pernambuco e, também, nas imediações do recém-construído estádio. Esse detalhe preocupou autoridades e membros das diretorias dos clubes à época.

Com a premissa de evitar confusões no decorrer do jogo decisivo, afinal a ida foi na Ilha do Retiro, dirigentes do Náutico sugeriram, à época, a medida que restringia a presença de visitantes, porém foi amplamente negada pela CONMEBOL – e, de fato, ocorreram desentendimentos entre os fanáticos nas cadeiras vermelhas do estádio.

Em campo, na Ilha do Retiro, 2 a 0 para o Sport com gols de Felipe Azevedo e Patric; na volta, com tentos de Elicarlos e Juan Olivera, o Náutico deixou tudo igual. Assim, a primeira decisão entre as equipes a nível internacional foi às penalidades – a partir daquele instante, o Recife parou. Logo no primeiro pênalti, Olivera, autor do gol alvirrubro, cobrou mal e parou em Magrão, que viria a ser o herói da noite. Em seguida, Felipe Azevedo abriu o placar com bela cobrança, que deslocou Ricardo Berna. Na segunda penalidade alvirrubra, Tiago Real, camisa 10 do Timbu, também estacionou no arqueiro rubro-negro.

Na sequência, Marcelo Cordeiro e Patric, pelo Leão, e Jônatas Belusso, do Alvirrubro, acertaram seus respectivos penais. No último e decisivo, Rogério encontrou um Magrão gigante pela frente e também parou nas mãos do ídolo rubro-negro. Assim, o Sport estava classificado às oitavas de final do certame.

O ÚLTIMO CLÁSSICO
Realizado há 1.208 dias, o último Clássico dos Clássicos na Arena de Pernambuco não teve clima de jogo grande. Sob os olhares de apenas 3.685 torcedores, o Náutico venceu com autoridade o Sport por 3 a 0 – com dois gols de Wallace Pernambucano, o nome do jogo. Pelo abismo financeiro entre as equipes, o embate foi chamado de ‘clássico do abismo’ pela imprensa pernambucana à época – isso porque a folha salarial dos rubro-negros era 17 vezes maior que a dos alvirrubros.

No confronto, o ex-técnico do Timbu, que atualmente está comandando o CRB, Roberto Fernandes, soube aproveitar os contra-ataques proporcionados pelo Leão da Ilha do Retiro e, com muita eficiência, ‘matou’ o jogo ainda no primeiro tempo. Com 2 a 0 no placar ainda durante o primeiro tempo, o ex-treinador timbu recuou seus comandados e garantiu a vitória com a rede balançada por Tharcysio nos acréscimos da etapa final.

Em campanha quase perfeita, o Náutico seria campeão da edição do estadual – um ano depois, os rivais se enfrentaram na decisão do Pernambucano, mas com vitória leonina na Ilha do Retiro.

8 ANOS DA ARENA

Por casualidade, o domingo do jogo de volta da final do Campeonato Pernambucano, dia 23 deste mês, marcará o 8º aniversário da Arena de Pernambuco – que teve em sua estreia, no dia 23 de maio de 2013, o amistoso entre Náutico e Sporting, de Portugal. Além disso, o segundo embate da decisão será o 12º clássico entre Sport e Náutico no estádio localizado em São Lourenço da Mata e o segundo que definirá um Pernambucano na cancha padrão FIFA: em 2014, com gol de Durval, o Leão superou o Timbu e conquistou o título de Pernambuco. Será que desta vez será diferente?

O que é fato é que, com mais de 500 jogos no total, o Clássico dos Clássicos terá dois capítulos emocionantes nos próximos domingos. De um lado, o trabalho consistente de Hélio dos Anjos; do outro, as ideias contemporâneas de Umberto Louzer: propostas? Temos. Como ambos treinadores disseram no decorrer da semana, em clássico, tudo pode acontecer – e, como diz o ditado, o jogo só acaba quando o árbitro – no caso, FIFA – apita.

Retrospecto do Clássico dos Clássicos na Arena de Pernambuco

Total:

10 jogos
4 vitórias do Sport
2 empates
4 vitórias do Náutico
11 gols do Sport
11 gols do Náutico

28/08/13 – NAU 2×0 SPO (Sul-Americana) (Elicarlos e Olivera)
02/02/14 – NAU 0x3 SPO (Copa do Nordeste) (Ananias, Érico Jr. e Neto Baiano)
27/02/14 – NAU 2×1 SPO (Pernambucano) (Pedro Carmona [2] x Éwerton Páscoa)
23/04/14 – NAU 0x1 SPO (Pernambucano – Final) (Durval)
08/02/15 – SPO 1×0 NAU (Pernambucano) (Samuel)
22/03/15 – NAU 0x2 SPO (Pernambucano) (Wendel e Éwerton Páscoa)
06/03/16 – NAU 1×1 SPO (Pernambucano) (Ronaldo Alves x Niel [contra])
05/03/17 – NAU 2×1 SPO (Pernambucano) (Marco Antônio e Erick x Ronaldo Alves)
23/02/17 – NAU 1×1 SPO (Pernambucano – Semifinal) (Giovanni x Matheus Ferraz)
24/01/18 – NAU 3×0 SPO (Pernambucano) (Wallace Pernambucano [2] e Tharcysio)

Do Esportes DP

Foto: Ricardo Fernandes
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